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Quando deitado, calado e mudo - da lente do verbo guardado, dentro do cubo do crânio - vejo tudo torto e quadrado.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Da Idéia, o Miolo


Da Idéia, o Miolo

Eu só sei que quando o tempo passa
como agulha que trespassa o infinito,
O pensamento é grito
mas o quarto é mudo.

O corpo - tronco, cabeça, membros
é prateleira, janela, medo.
Do lado de cá tudo é dentro
é de frente com o impossível.

Quando deitado
calado e mudo
dentro do cubo do crânio,
da lente da palavra guardada,
eu vejo tudo torto e quadrado.

No oco do escuro cego
eu me pergunto pro eco
sem resposta, claro.
Saber é não ter.
Certeza é só uma, tudo.

Nem tudo é profundo, é claro
tem sempre o outro lado
o fato, o esquadro,
o sentido, o tato, o certo.
Um tratado desconhecido.

Por isso eu, brabo, burro e errado
não sinto de todas as coisas
o verdadeiro sentido lato
e então, raivoso como cão
mordo o rabo, a razão e lato.

Aí, eu penso, só comigo e torto:
porque tudo que por dentro é brilho,
lá fora, no claro do escuro todo
é só da idéia, o miolo?
Um pouco do muito pouco
um pensamento só
apenas pó?

6 comentários:

MARTHA THORMAN VON MADERS disse...

Mas que bela surpresa Pena. Esta poesia é sua? Forte e intensa, adorei.

Ricardo Valente disse...

Bah! Pena, lindo! Ao ler, imagino uma voz forte declamando! Emocionante! Show......zaço! (queria ter escrito esse)

Paula disse...

Adorei!

gersonlattuada disse...

Pena,
Depois de ler as tuas palavras, me faltam as minhas.
Só digo, então, parabéns.

Thaise de Moraes disse...

não sabia que tinhas um blog, e muito menos que nele ia encontrar textos maravilhosos. Ameii!
Bjooo
Thaise

leandro disse...

Olá, Pena. Sou o Leandro Adriano, amigo da Márcia Schmaltz. Gostei muito deste poema - com grandes imaens e bem estruturado - embora eu seja mais familiarizado com a prosa. Achei teu blog através de outro blog, o Arquiteto das Sombras, de um amigo meu, o Carlos Ferreira. Um abraço!