Quem sou eu

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POA, RS, Brazil
Quando deitado, calado e mudo - da lente do verbo guardado, dentro do cubo do crânio - vejo tudo torto e quadrado.

domingo, março 11, 2012

A Maior Praia do Mundo

4 programas nos sábados de março na RBS (12:30h) " A Maior Praia do Mundo". O tema do primeiro: "Origem, Piratarias e Naufrágios". Direção Pena Cabreira, produção Cubo Filmes.
Clique no título e assista o filme.

terça-feira, setembro 06, 2011

Gauchão de Literatura


Gauchão de Literatura: me convidaram para arbitrar o jogo entre Juremir Machado (1930 - Águas da Revolução) e Fabian Balbinot (Doença e Cura), topei. Ta aí. Se gostarem, divulguem. Valeu!

sexta-feira, agosto 27, 2010

Story Board - Sertanejo


Despacito e sempre
buscando uma vida melhor.

Desenho de story board que fiz pra Mirela Kruel.

sexta-feira, agosto 20, 2010

Riscos Sem Palavras

Ao querido, grande fotógrafo e artista gráfico Roberto Silva, dedico essas minhas irresponsabilidades gráficas que ele tanto valoriza, obrigado amigo.

quinta-feira, junho 03, 2010

Manoel de Barros - Poeta!


Obra completa do Manoel de  Barros relançada. Coisa imperdível. Ninguém sai ileso de um livro desses. Quem entra, sai diferente. Poeta maior das coisas mínimas. Emociona e estimula: "Desaprender oito horas por dia ensina os princípios", "Há certas frases que se iluminam pelo opaco", "Como pegar na voz de um peixe", "E um sapo engole as auroras", "Eu escuto a cor dos passarinho", "Hoje eu desenho o cheiro das árvores", "Não tem altura o silêncio das pedras"... Fragmentos magnéticos do Livro da Ignorãças. É bom ir lá. Abraços.

terça-feira, maio 25, 2010

Caiu nas minhas mãos um pequeno e precioso livro de Charles Kiefer de 2001 - Nós Que Inventamos a Eternidade & Outras Histórias Insólitas - que me caiu os Butiás do bolso! Narrativa rápida e precisa. Contos plenos de referências, com vôo (voo é ridículo) próprio. Kiefer conta histórias acrescentando à literatura. Obrigado.

quarta-feira, abril 28, 2010

Tecniart Filmes no ar!



Amigos, o site da Tecniart Filmes já está no ar. Lá, além dos trabalhos comerciais constará, através do blog da Tecniart - http://tecniartfilmes.com.br/blog - os projetos legais que estamos e estaremos envolvidos: ficção, documentários, animações, programas de TV... E mais, teremos uma galeria de arte com artistas amigos e toques e textos de literatura da Confraria de Quinta. Visitem, sigam e prestigiem. Abraços!

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Léa Masina e grupos de estudos literários



Amigos das letras, a mestra em literatura Léa Masina estará ministrando grupos de estudos literários em 2009. Há vagas, corram... Imperdível!
O e-mail dela tá aí: lmasina.ez@terra.com.br

Da Idéia, o Miolo


Da Idéia, o Miolo

Eu só sei que quando o tempo passa
como agulha que trespassa o infinito,
O pensamento é grito
mas o quarto é mudo.

O corpo - tronco, cabeça, membros
é prateleira, janela, medo.
Do lado de cá tudo é dentro
é de frente com o impossível.

Quando deitado
calado e mudo
dentro do cubo do crânio,
da lente da palavra guardada,
eu vejo tudo torto e quadrado.

No oco do escuro cego
eu me pergunto pro eco
sem resposta, claro.
Saber é não ter.
Certeza é só uma, tudo.

Nem tudo é profundo, é claro
tem sempre o outro lado
o fato, o esquadro,
o sentido, o tato, o certo.
Um tratado desconhecido.

Por isso eu, brabo, burro e errado
não sinto de todas as coisas
o verdadeiro sentido lato
e então, raivoso como cão
mordo o rabo, a razão e lato.

Aí, eu penso, só comigo e torto:
porque tudo que por dentro é brilho,
lá fora, no claro do escuro todo
é só da idéia, o miolo?
Um pouco do muito pouco
um pensamento só
apenas pó?

quinta-feira, setembro 11, 2008

Senhores

Um díptico que me deu grande prazer de pintar e que foi adquirido pelo meu querido amigo e ex-sócio Ricardo Batista.
Clique sobre a pintura para visualizá-la em tamanho maior.
Mais material no link Pena: Desenhos/Pinturas.

sexta-feira, agosto 29, 2008

Satolep


Sobre Satolep de Vitor Ramil.

Quem não conhece o tabuleiro de xadrez das ruas da cidade natal de Vitor Ramil, deverá entrar em Satolep com mais cuidado. Escravidão, aristocracia, crueldade e poesia gastaram os paralelepípedos perfeitos de seus calçamentos, tornando-os irregulares para sempre. Os cheiros do fumo (marca Diabo) e do charque marcaram e dividiram as mentes dos homens, inaugurando em tempo perdido a simetria assimétrica de Satolep.
Selbor, o fotógrafo volta à sua cidade, mas nada será igual – ele sabe disso. Nunca voltamos, quando muito, vamos novamente, sobre outra camada de tempo, sobre as mesmas pedras, mais gastas e mais irregulares. A tentativa angustiada de um novo olhar sobre as nunca-mais-mesmas-coisas cria em Selbor o deslocamento de uma intimidade perdida. Uma profunda intimidade perdida.
O trânsito aparentemente naturalista (e genial) do personagem-narrador com personagens reais (marginalizados em sua época – Simões Lopes Neto e Lobo da Costa) e fundamentais à identidade de uma cidade às avessas e atemporal, dão ao romance uma verossimilhança labiríntica envolvente. O jogo da sobrevivência de quem retorna é incerto e não tem regras claras, há armadilhas, perspectivas distorcidas, falsas simetrias...
Uma canção de Sérgio Ricardo diz: “filho que sai da terra, volta diferente, volta trazendo uma vontade dentro...”. Em Selbor esta vontade não é clara, cristalina, há muita serração em Satolep e um bafejo na vidraça para reencontrar a alma; mas há lama, lodo e rosas espinhentas. Há um fatalismo, mas principalmente uma tentativa desesperada de voltar o tempo e salvar uma cidade e suas almas mais queridas.
Entre os florais e as geometrias enganadoras dos pisos hidráulicos a história se oculta e se revela - se apresenta. Assim, sem facilidades. Quando a pegamos por uma de suas tantas pontas, ela se mescla nas escaiolas dos corredores úmidos da arquitetura neoclássica tardia e nos escapa. São as formas como Vitor Ramil nos conta a história de Selbor, ao contrário e pra frente.
Em Satolep a poesia dá o tom, mas a história anda. Ao contrário e pra frente de maneira magistral.
O re-olhar impressionista multifacetado do fotógrafo sobre a massa arquitetônica imperativa, convulsiona e faz-se uma história sob luzes e sombras, reflexos, espelhamentos, paralelismos inconfiáveis e um duplo superior - um irmão mais velho que parte antes - e uma família enclausurada em uma redoma de memória vã. E a certeza amarga de que nascer leva tempo.
O mantra rege o romance: Nascer leva tempo. E vozes guiam: “Tenho sede da chuva lá fora”, versa Lobo da Costa. “A milonga geometriza as coisas”, diz o Compositor. “Para as almas é morte tornar-se água”, intui um pai de fumaça. E Selbor, o fotógrafo, ao amanhecer pede às preciosas casas enfileiradas da rua Paysandú: “Não se mexam”.
Textos e fotografias se complementam em aparente revelia, ou sob lógica própria. As cenas são mudas, mas não há arquitetura sem verbo. Há um conceito circular em espiral no qual Selbor mergulha. Um caminho sem volta? Um círculo incompleto? Simões Lopes ilumina: “Almas querem estar em curso, indo de um lugar a outro, fazendo conexões entre as coisas”.
Trata-se de uma leitura difícil, orgulhosa, “cheia de personalidade”. Não é fácil de entrar, mas depois, impossível abandoná-la, a única saída possível deste labirinto-literatura está na última página do livro. Afinal, o que esperar de uma história que se passa na cidade em que “à noite a Biblioteca Pública não fecha. Não para que os leitores entrem nela a toda hora, mas para que a umidade saia”?

Eu, que nasci na mesma terra do Vitor - por desgraça e privilégio – achei em Satolep, além da belíssima narrativa de trama primorosa, a chave da minha Arca de Blau particular, aquele acervo de lembranças que todos os que nasceram por aqueles pampas carregam dentro de si. E pra quem não é de lá, ou nunca leu Simões Lopes Neto, tá mais do que na hora de ouvir os causos de um certo “gaúcho pobre, Blau, de nome, guasca de bom porte, mas que só tinha de seu um cavalo gordo, o facão afiado e as estradas reais...”, depois ler o Satolep novamente e vice-versa, sempre.

Toda boa literatura tem o poder da transformação e a minha alma pampeana que também “veio do frio”, nunca mais foi a mesma depois de viver Satolep.

Satolep, como já disse Tom Zé a respeito de Os Sertões do Euclides da Cunha, é gibi do bom.

Pena Cabreira.