
Da Idéia, o Miolo
Eu só sei que quando o tempo passa
como agulha que trespassa o infinito,
O pensamento é grito
mas o quarto é mudo.
O corpo - tronco, cabeça, membros
é prateleira, janela, medo.
Do lado de cá tudo é dentro
é de frente com o impossível.
Quando deitado
calado e mudo
dentro do cubo do crânio,
da lente da palavra guardada,
eu vejo tudo torto e quadrado.
No oco do escuro cego
eu me pergunto pro eco
sem resposta, claro.
Saber é não ter.
Certeza é só uma, tudo.
Nem tudo é profundo, é claro
tem sempre o outro lado
o fato, o esquadro,
o sentido, o tato, o certo.
Um tratado desconhecido.
Por isso eu, brabo, burro e errado
não sinto de todas as coisas
o verdadeiro sentido lato
e então, raivoso como cão
mordo o rabo, a razão e lato.
Aí, eu penso, só comigo e torto:
porque tudo que por dentro é brilho,
lá fora, no claro do escuro todo
é só da idéia, o miolo?
Um pouco do muito pouco
um pensamento só
apenas pó?